O artigo tem como objetivo contribuir ativamente para a construção de um referencial teórico sólido que fundamente, oriente e melhore as práticas de avaliação formativa nas salas de aula. Reconhecendo a complexidade e a evolução do conceito, o autor defende a necessidade de clarificar termos frequentemente utilizados de forma ambígua, integrando diversas tradições teóricas e promovendo investigações empíricas que sustentem a construção de uma teoria consistente e alinhada com a realidade educativa contemporânea.
A avaliação formativa evoluiu desde os anos 60 e 70, passando de uma visão restritiva e centrada em objetivos comportamentais para uma abordagem mais complexa e interativa, focada nos processos cognitivos dos alunos e no feedback. O autor distingue a avaliação formativa tradicional, frequentemente associada à verificação de resultados e à classificação, muitas vezes com inspiração behaviorista, de uma Avaliação Formativa Alternativa (AFA). Esta AFA centra-se na melhoria contínua das aprendizagens, focando-se nos processos cognitivos dos alunos e no feedback como ferramentas essenciais para a regulação e o desenvolvimento.
O artigo analisa duas fortes tradições teóricas no domínio da avaliação formativa: a francófona, que enfatiza a regulação dos processos de aprendizagem, e a anglo-saxónica, que destaca o papel primordial do feedback. Defende-se uma integração destas perspetivas para uma compreensão mais abrangente da avaliação formativa.
O autor defende que, para melhorar as práticas avaliativas, é fundamental compreender os processos de desenvolvimento curricular nas salas de aula, bem como os papéis dos alunos e dos professores no ensino e na aprendizagem. A AFA deve permitir identificar claramente os saberes, as atitudes e as competências dos alunos, fornecendo feedback inteligente e frequente que os ajude a regular e a melhorar os seus processos de aprendizagem. É crucial selecionar tarefas que ativem processos complexos de pensamento e criar um ambiente positivo de sucesso onde todos os alunos possam aprender.
É realçada a importância de desenvolver investigações empíricas detalhadas nas salas de aula, integrando contribuições de várias disciplinas, como teorias da comunicação, sociocognitivas, socioculturais, psicologia social, antropologia, sociologia e ética. Essas investigações devem permitir descrever, analisar e interpretar as realidades da avaliação formativa, de forma a construir, progressivamente, teorias mais consistentes e alinhadas com a realidade educativa contemporânea. Destaca-se a importância de integrar os processos de ensino, aprendizagem e avaliação, e a caracterização dos papéis de alunos e professores neste contexto. A avaliação formativa, quando implementada de forma eficaz, pode melhorar significativamente as aprendizagens dos alunos, especialmente daqueles com mais dificuldades.
Fernandes, D. (2006). Para uma teoria da avaliação formativa. Revista Portuguesa de Educação, 19(2),
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