Neste capítulo, os autores exploram as complexidades e ambiguidades inerentes à avaliação no contexto da profissão docente, que, apesar de ser uma dimensão visível e aparentemente consensual da prática letiva, revela incertezas e diferentes conceções entre os professores.
Os professores atribuem diversas funções à avaliação, que podem incluir a medição do conhecimento, a segmentação dos alunos por níveis, a punição ou o controlo do comportamento, a homogeneização das turmas e a regulação do processo de ensino. Estas diferentes perceções refletem os dois grandes quadros conceptuais da avaliação escolar: a avaliação sumativa, focada no controlo do desempenho e na tomada de decisões sobre retenção ou progressão, e a avaliação formativa, orientada para a melhoria contínua do processo de ensino e aprendizagem
A avaliação sumativa, embora necessária, é frequentemente encarada com insatisfação devido à preocupação com o rigor e a justiça na atribuição de notas, limitando a compreensão do processo de aprendizagem a resultados pontuais. Por outro lado, a avaliação formativa, embora idealizada como um instrumento de regulação pedagógica, é vista como difusa e de difícil aplicação prática, especialmente devido ao elevado número de alunos, à dificuldade em sistematizar a informação informal, à sobrecarga de trabalho, à desconfiança nos instrumentos não tradicionais e à tendência para atribuir as dificuldades dos alunos a causas internas.
O texto sublinha que, apesar do debate conceptual em torno das modalidades de avaliação, não se tem conseguido construir uma visão global da avaliação formativa que abranja os níveis conceptual, prático e ético. A avaliação formativa permanece, assim, algo distante das práticas quotidianas dos professores. Apesar da valorização conceptual da avaliação formativa, persiste uma cultura escolar assente em práticas avaliativas sumativas.
No entanto, os autores defendem que a avaliação deve ser compreendida como um processo de comunicação interpessoal, onde o erro é encarado não como uma falha, mas como uma oportunidade para reestruturar o sentido da tarefa e promover a aprendizagem. Para que isso ocorra, é essencial explicitar os critérios avaliativos, utilizar feedback descritivo e fomentar o diálogo construtivo entre professores e alunos.
A crescente importância da avaliação no campo pedagógico é impulsionada pela modernização do discurso sobre a escola, pela consciencialização de que a avaliação é um processo de comunicação e pela crença de que pode ser um instrumento poderoso ao serviço das aprendizagens dos alunos. A própria legislação tem vindo a sublinhar a importância da avaliação formativa como instrumento de ajuda e apoio aos professores na construção de situações de ensino e de aprendizagem mais eficazes, promovendo a transparência e a participação dos alunos no processo de avaliação.
A resolução da tensão entre a escola tradicional, centrada no ensino, e as novas ideias pedagógicas que valorizam o aprender exige novos papéis para os professores e alunos, bem como novos arranjos curriculares. A avaliação formativa distingue-se da sumativa pelas suas funções, intencionalidade e ética, centrando-se no aluno e nos processos de ensino e aprendizagem, e implica a recolha de informação oportuna e adequada, um quadro teórico para interpretar essa informação e a vontade de praticar uma avaliação que promova a variabilidade didática e a melhoria contínua do processo de ensino e aprendizagem.
Os autores integram a avaliação formativa como componente fundamental do projeto curricular, defendendo uma abordagem ética e inclusiva que apoie o desenvolvimento integral dos alunos, e compreendendo a avaliação como um processo de comunicação interpessoal onde o erro é encarado como oportunidade para reestruturar o sentido da tarefa e promover a aprendizagem.
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