sábado, 8 de fevereiro de 2025

Resumo - Firmar a Posição como Professor, Afirmar a Profissão Docente

Este artigo é explorada a necessidade de repensar a formação de professores como uma formação profissional universitária, à semelhança da medicina, engenharia ou arquitetura. O autor parte de um diagnóstico crítico do campo da formação de professores, reconhecendo a sua expansão e relevância científica nos últimos 50 anos, mas também o crescente sentimento de insatisfação face à distância entre as ambições teóricas e a realidade das escolas e dos professores.

O autor identifica tendências de desprofissionalização, ataques às instituições universitárias de formação e privatização da educação, impulsionadas por políticas neoliberais que valorizam a eficiência e a prestação de contas baseadas em "medidas de valor acrescentado". Estas políticas manifestam-se em baixos salários, difíceis condições de trabalho, intensificação do trabalho docente através da burocratização e do controlo, e na defesa de "caminhos alternativos" de formação, como modelos rápidos e formação unicamente em serviço.

Identifica três grupos principais no debate sobre a formação de professores: defensores, reformadores e transformadores. O autor posiciona-se entre os transformadores, que reconhecem a necessidade de mudanças profundas, mas rejeitam a substituição das instituições universitárias por lógicas de mercado.

É defendido que a formação de professores deve ser vista como uma formação para o exercício de uma profissão, similar à medicina ou engenharia, enfatizando a importância de um continuum profissional que ligue a formação inicial, a indução profissional e a formação continua. Além disso, é sugerido que a formação de professores se deve inspirar em outras profissões universitárias, como a medicina, e que se deve definir uma pedagogia própria para a profissão docente.

O autor propõe a criação de um "lugar híbrido" dentro das universidades, que funcione como uma casa comum da formação e da profissão docente. Este lugar deve promover a colaboração entre universidades, escolas e a sociedade, e valorizar a participação dos professores na formação dos futuros docentes.

Para superar este desafio, o autor propõe repensar a formação através do conceito de “posição”, que se desdobra em cinco movimentos fundamentais:

  1. Disposição Pessoal: Desenvolvimento do perfil e das motivações intrínsecas do futuro professor. Aprender a ser professor envolve um trabalho de autoconhecimento e desenvolvimento cultural e ético.
  2. Interposição Profissional: Fortalecimento da ligação entre os formandos e a prática efetiva na escola, através de uma socialização que envolve tanto a universidade como os professores em atividade. Aprender a sentir como professor requer a integração em comunidades profissionais docentes e a colaboração com outros professores.
  3. Composição Pedagógica: Construção de uma forma própria de agir e organizar o ensino, valorizando tanto o conhecimento disciplinar como o pedagógico. Aprender a agir como professor implica desenvolver uma maneira própria de ensinar, baseada em um conhecimento profundo das disciplinas e da pedagogia.
  4. Recomposição Investigativa: Integração da investigação e da reflexão crítica contínua no processo formativo. Aprender a conhecer como professor envolve a incorporação de uma dinâmica de pesquisa e reflexão sobre a prática docente.
  5. Exposição Pública: Afirmação e reconhecimento da profissão perante a sociedade, reforçando o papel dos professores como agentes de transformação. Aprender a intervir como professor significa participar ativamente na construção de políticas públicas e na vida social.

O autor conclui que a formação de professores deve ser vista como um processo contínuo e integrado, que valorize tanto as dimensões pessoais quanto profissionais e públicas da docência. Ele enfatiza a importância de afirmar a profissão docente para fortalecer a formação de professores e, consequentemente, a educação pública. Apenas uma formação integrada, que combine rigor académico, prática profissional e uma identidade coletiva, poderá efetivamente consolidar a posição dos professores e revitalizar a educação pública.



Nóvoa, A. (2017). Firmar a posição como professor, afirmar a profissão docente, Cadernos de Pesquisa, vol. 47 (116), pp. 1106-1133

Sem comentários:

Enviar um comentário

Reflexão Final

Esta UC foi bastante interessante para mim, fez-me pensar nos desafios que tenho pela frente com a implementação de uma escola internacional...