quarta-feira, 6 de novembro de 2024

Resumo - Um olhar descomprometido sobre a avaliação externa das escolas

A autora faz uma análise crítica e reflexiva sobre o processo complexo que é a Avaliação Externa das Escolas, partindo da sua experiência como investigadora e avaliadora. O texto explora a dinâmica entre escolas e inspetores, reconhecendo que a avaliação deve ser encarada como um processo de aprendizagem mútua, onde avaliadores e avaliados constroem conhecimento em conjunto. A autora sublinha a importância da prestação de contas na educação, mas defende que a mudança nas escolas deve emergir de dentro para fora, com um profundo conhecimento do seu funcionamento interno, para que não seja uma imposição externa descontextualizada.

A avaliação externa é descrita como um "jogo de tensões", onde coexistem dinâmicas de controlo e apoio. Reconhecendo os avanços na orientação pedagógica da Avaliação Externa das Escolas (AEE), a autora alerta para a desconfiança que pode gerar, levando a estratégias defensivas e a efeitos colaterais indesejados. Identifica quatro efeitos principais: o "efeito espelho", que leva à padronização das práticas escolares em função dos referenciais da inspeção; o "efeito sombra", onde as escolas se tornam excessivamente dependentes da entidade avaliadora, diminuindo a sua autorresponsabilidade; o "efeito crivo", que faz com que as escolas selecionem apenas os aspetos que se encaixam nos critérios de avaliação, ignorando outras dimensões da sua realidade; e o "efeito mancha", resultante da exposição pública das escolas e da influência dos rankings na perceção da qualidade educativa.

Peralta enfatiza a necessidade de um conhecimento aprofundado das práticas pedagógicas para que a avaliação contribua para melhorias concretas. Critica a dependência da AEE em dados indiretos, como exames, e defende a incorporação sistemática da observação direta das salas de aula e da supervisão pedagógica. Apenas através da análise do que realmente acontece nas salas de aula se pode compreender os fatores que influenciam o ensino e a aprendizagem. Sem este conhecimento, a avaliação corre o risco de ser desajustada e impor mudanças sem um diagnóstico preciso.

Sao lançadas ainda questões essenciais para a investigação futura: Qual o impacto real da AEE na prática das escolas? Como conciliar a homogeneização com a diversidade escolar? Até que ponto a avaliação melhora o ensino e o sucesso dos alunos? A autora defende que a avaliação deve ser um meio para a melhoria contínua das escolas, e não um fim em si mesma. Para que a avaliação externa cumpra o seu propósito, é preciso uma abordagem mais aprofundada, justa e reflexiva, garantindo que contribui efetivamente para o desenvolvimento das escolas e para a qualidade da educação.

Em suma, a autora desafia a comunidade educativa a repensar a AEE, promovendo práticas avaliativas que valorizem o contexto específico de cada escola, promovam a autonomia e a autorregulação, e que contribuam para a construção de uma escola mais justa, equitativa e focada no sucesso de todos os alunos. A observação direta das práticas de sala de aula é essencial para entender e melhorar a qualidade do ensino e da aprendizagem.


Peralta, H. (2015). Um olhar descomprometido sobre a avaliação externa das escolas. In Avaliação Externa de Escolas: Seminários e Colóquios (pp. 239-251). Lisboa: Conselho Nacional de Educação.

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Reflexão Final

Esta UC foi bastante interessante para mim, fez-me pensar nos desafios que tenho pela frente com a implementação de uma escola internacional...