O texto debruça-se sobre a colaboração docente no contexto da Avaliação Externa das Escolas (AEE) em Portugal, um tema amplamente valorizado pelas políticas educativas e discursos institucionais, mas cuja implementação efetiva nas escolas permanece limitada. O estudo analisa os referenciais da AEE e os relatórios do terceiro ciclo (2018-2022), conduzidos pela Inspeção-Geral da Educação e Ciência (IGEC), para identificar como a colaboração docente é representada, incentivada e avaliada neste processo. A pesquisa visa compreender como a AEE pode promover a colaboração, tendo em conta as conceções presentes nos documentos orientadores e a sua influência nas práticas escolares.
A análise documental revela uma valorização crescente da colaboração docente nos referenciais da AEE, especialmente no terceiro ciclo, onde é explicitamente mencionada como um indicador de qualidade. Contudo, os relatórios da AEE apresentam um retrato misto, com referências tanto positivas quanto negativas. Apesar do reconhecimento da colaboração, persistem dificuldades e limitações na sua implementação prática, apontando para a necessidade de aprofundar as práticas colaborativas. A colaboração é frequentemente associada à gestão curricular e à supervisão colaborativa, com destaque para a colaboração docente como um elemento crucial para a melhoria das práticas pedagógicas e a adaptação às mudanças educacionais.
O artigo sublinha que a colaboração docente vai além da mera partilha de recursos ou do trabalho conjunto em atividades pontuais. Para ser eficaz, requer processos estruturados de co-reflexão, planeamento e supervisão entre pares, permitindo um desenvolvimento profissional contínuo e a melhoria das práticas pedagógicas. Entre os principais obstáculos identificados estão a falta de tempo para o trabalho colaborativo, a organização curricular segmentada e a ausência de condições institucionais para fomentar práticas colaborativas mais profundas e sistemáticas.
O estudo conclui que a AEE tem potencial para impulsionar a colaboração docente, mas que ainda existem desafios significativos a ultrapassar. O papel da liderança escolar emerge como um fator determinante para a promoção da colaboração, sendo essencial que as direções criem condições e culturas institucionais que incentivem um trabalho mais interdependente entre professores e que fomentem a participação ativa dos docentes. Para que a colaboração se torne uma prática efetiva, é necessário um esforço contínuo de transformação organizacional, garantindo que os espaços de trabalho coletivo sejam promovidos de forma genuína e sustentável. Em suma, a colaboração entre professores deve ser encarada como um processo intencional e estruturado, sustentado por políticas educativas coerentes.
Seabra, F., Abelha, M., Henriques, S. & Mouraz. A. (2022). Policies and practices of External Evaluation of Schools: Spaces for teacher collaboration?. Ensaio: Avaliação e Políticas Públicas em Educação, 30(116), 644-668.
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